Pernambuco

Com Raquel, Stellanttis prefere gerar empregos em Minas Gerais

Enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro celebram 2 mil novos postos de trabalho gerados pela montadora, estado amarga isolamento político, emperramento em grandes obras e falta de protagonismo na atração de investimentos

A perda de espaço e o crescente desprestígio de Pernambuco no cenário econômico nacional ganharam mais um capítulo preocupante. O recente anúncio da gigante automotiva Stellantis para a abertura de 2 mil novos empregos diretos reservou 1.500 vagas para a fábrica de Betim (MG) e 500 para a unidade de Porto Real (RJ). Para Pernambuco, onde fica a fábrica da Jeep em Goiana, a fatia reservada pelo novo plano de contratações do grupo foi zero.

A incapacidade da gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) de articular a inclusão do estado na expansão de vagas e na geração de novos empregos expõe uma clara demonstração de fraqueza política. O cenário atual contrasta fortemente com o histórico do setor em solo pernambucano: foi sob o comando do ex-governador Eduardo Campos e das gestões do PSB que o Polo Automotivo de Goiana foi atraído e construído, transformando a Zona da Mata Norte num centro de referência tecnológica e gerador de milhares de oportunidades para os trabalhadores locais.

Essa falta de peso político da gestão estadual se repete em outras frentes estratégicas de infraestrutura, como nos constantes atrasos e entraves para o início efetivo das obras do ramal Salgueiro–Suape da Transnordestina. A lentidão e o empacamento no trecho pernambucano da ferrovia, essencial para escoar a produção do estado até o Porto de Suape, escancaram a dificuldade de articulação do Palácio do Campo das Princesas junto ao Governo Federal e a órgãos de controle em Brasília, travando investimentos bilionários e atrasando a criação de postos de trabalho na ponta.

A perda da expansão da Stellantis e a paralisia em obras estruturantes evidenciam o custo da atual falta de trânsito fluido da gestão com o setor produtivo e com as grandes decisões econômicas do país. Sem uma política agressiva de atração de investimentos e sem força para destravar grandes projetos, Pernambuco assiste passivamente a outros estados arrematarem recursos e novos postos de trabalho, deixando o trabalhador pernambucano para trás.

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