Cozinha do Hospital da Restauração tem risco sanitário e indícios de fraude em licitação

FONTE: Blog do Ricardo Antunes
Uma denúncia grave trazida a este Portal aponta indícios de fraude em uma licitação emergencial para o fornecimento de alimentação a servidores, pacientes e acompanhantes do Hospital da Restauração (HR), no Recife. A mudança repentina no modelo de operação deixou a cozinha do maior hospital da América Latina completamente desativada, gerando indignação e preocupação com a segurança de pacientes de alta complexidade.
O objeto original da licitação previa uma dispensa emergencial para a confecção de refeições dentro das próprias dependências do HR. No entanto, a realidade nos corredores do hospital é totalmente diferente. Atualmente, toda a comida é transportada de uma cozinha externa pertencente à empresa Avannte, localizada no bairro da Várzea. No entanto, consultas realizadas no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) mostram que, até o momento, não há assinatura de contrato formalizada com a referida empresa no processo público.
A reportagem apurou que a sócia majoritária da empresa Avannte é esposa de Nelson Nunes Canniza Neto, um dos empresários da famosa Casa de Farinha, investigado pela Polícia Federal há quase uma década. Em 2018, ele foi um dos alvos da Operação Castelo de Farinha, que investigava quadrilhas envolvidas em crimes em licitações para compra de merenda escolar para prefeituras no estado. O que levanta questionamentos sobre os critérios de escolha da dispensa emergencial.
Segundo funcionários do HR, no último domingo (14), a empresa que operava anteriormente encerrou suas atividades e retirou todos os equipamentos, deixando o espaço completamente vazio. A fiscalização do hospital autorizou que o insumo alimentar de todo o complexo venha de uma cozinha coletiva externa. “Mas o local não passaria por ampla fiscalização hospitalar e divide a produção com contratos de ramos totalmente distintos do setor de saúde”, relatou uma fonte, em reserva.
“É impossível acreditar que não exista um só fogão dentro do HR. Como o maior hospital da América Latina opera hoje com uma cozinha zerada?”, questiona outro servidor, que também preferiu não se identificar. A mudança gerou uma onda de reclamações diárias entre os funcionários. Eles apontam o risco do transporte feito por caminhões sem acompanhamento de servidor ou técnico para fiscalizar o trajeto, temendo possíveis contaminações aos alimentos. Além disso, o hospital perdeu a capacidade de reação rápida às demandas que surgem por refeições que não estão previstas no mapa inicial dos nutricionistas.
O OUTRO LADO
O Portal tentou contato com a direção do Hospital da Restauração e com representantes da Secretaria Estadual de Saúde para ouvir esclarecimentos sobre a situação narrada. O espaço segue aberto para manifestações.




