Pedido de demissão da delegada Natasha Dolci pela SDS evidencia perseguição política

O pedido de demissão da delegada de polícia de Pernambuco Natasha Dolci, feito pela Secretária de Defesa Social ao Executivo no último sábado (06.06), está sendo compreendido, no meio político, como retaliação e perseguição à delegada.
Isso porque o despacho do secretário Alessandro Carvalho foi assinado duas semanas após Natasha publicar, no perfil pessoal do Instagram, um vídeo denunciando o não funcionamento de delegacias da Mulher no turno da noite em Pernambuco e um outro questionando procedimentos que indicam “arapongagem” executada pela própria secretaria contra adversários políticos da atual gestão.
Pré-candidata a deputada estadual pelo MDB, Natasha expôs, no primeiro vídeo, o flagrante desrespeito do governo de Pernambuco à Lei Federal nº 14.541/2023, que determina o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher, inclusive nos finais de semana, exatamente quando acontecem o aumento da violência doméstica.
A motivação político-eleitoral da decisão da SDS torna-se clara, não só pela pré-candidatura da delegada por um partido de oposição à governadora Raquel Lyra (PSD), mas porque Natasha revelou a desassistência e o desamparo a que a gestão estadual vem submetendo as mulheres pernambucanas.
Ou seja, a delegada expôs uma ferida que pode explicar o aumento de 15,8% dos casos de feminicídios em 2025 em comparação com os dados de 2024. No ano passado, foram registrados 88 casos contra 76 no ano anterior, o que colocou Pernambuco como o estado onde mais se mata mulheres no país.
No vídeo, Natasha não estava no exercício da função de delegada, mas agiu como cidadã conhecedora da lei. E foi com o intuito de mostrar as ilegalidade e a inoperância da gestão estadual, que ela esteve nos municípios Goiana, Surubim, Afogados da Ingazeira, Salgueiro, Arcoverde, Garanhuns, Palmares e Vitória de Santo Antão para acompanhar o funcionamento das delegacias à noite. Todas as unidades visitadas se encontravam fechadas.
No segundo vídeo, a delegada denunciou a existência de um procedimento sistemático, já denunciado à Justiça, de utilização indevida dos aparatos de inteligência do Estado para fins de perseguição política.
Entre 2025 e 2026, a SDS monitorou e espionou, sem a prévia e necessária autorização judicial, secretários-executivos da Prefeitura da Cidade do Recife. Também investigou e elaborou relatório, sem procedimento de apuração formalmente instaurado, sobre a vida privada do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Em setores da política pernambucana questiona-se porque em vez de trabalhar para abrir as delegacias à noite, como manda lei, e esclarecer para a sociedade o que há por trás da arapongagem da SDS o governo recorre ao abuso de autoridade para tentar calar, oprimir, perseguir e até mesmo demitir quem denuncia falhas e cobra eficiência na segurança pública.




