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Receita pede acesso a laudos das joias sauditas investigadas pela PF

Solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes para subsidiar procedimento administrativo da Receita Federal antes do fim do prazo para eventual responsabilização na esfera aduaneira

Fonte: Correio Braziliense 

A Receita Federal solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o compartilhamento dos laudos periciais e de outros documentos técnicos produzidos pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura o destino das joias sauditas recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante o mandato.

O pedido foi protocolado nesta quarta-feira (23) e busca reforçar a instrução de um procedimento administrativo fiscal em andamento. Segundo a Receita, o acesso às informações é necessário para avaliar possíveis infrações à legislação aduaneira relacionadas aos bens. No documento encaminhado ao STF, o órgão sustenta que os laudos técnicos são essenciais para identificar as características e o valor das peças, elementos considerados fundamentais para eventual responsabilização administrativa e para a preservação do interesse público.

A Receita também alertou para a proximidade do fim do prazo decadencial previsto na legislação, período em que a administração pública pode aplicar sanções administrativas.

Conforme o órgão, esse prazo se encerra em outubro deste ano, tornando urgente o compartilhamento das informações produzidas pela perícia da Polícia Federal para evitar a perda do direito de atuação do estado.

Joias sauditas
O caso das joias ganhou repercussão após a Polícia Federal concluir, em 2024, o indiciamento de Jair Bolsonaro pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos. A investigação apontou que parte das joias recebidas da Arábia Saudita teria sido negociada nos Estados Unidos, em uma operação estimada em aproximadamente R$ 6,8 milhões, com suposto objetivo de obtenção de vantagem financeira.

Em março deste ano, entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento da investigação criminal. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que não existe uma norma suficientemente clara para disciplinar a destinação desse tipo de presente recebido por chefes de Estado, o que impediria a responsabilização penal diante das divergências jurídicas sobre o tema.

A manifestação, contudo, ressaltou que outras esferas, como a administrativa e a civil, permanecem aptas a analisar possíveis irregularidades. Também em março, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que presentes de caráter personalíssimo recebidos por presidentes e vice-presidentes podem permanecer com os ex-mandatários após o fim do mandato.

Já no início deste mês, Alexandre de Moraes determinou a transferência da guarda das joias sauditas que estavam sob custódia da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, atendendo a pedido da Receita Federal com parecer favorável da PGR, para garantir a preservação dos bens enquanto prosseguem as apurações administrativas.

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