Eduardo da Fonte derrota Raquel, Miguel é rifado e governadora revive fantasma da traição

A montagem da chapa governista para o Senado terminou com uma derrota política explícita para a governadora Raquel Lyra (PSD). Depois de meses bancando publicamente a candidatura de Miguel Coelho (União Brasil), ela foi obrigada a abandonar sua própria estratégia e aceitar a indicação de Eduardo da Fonte (PP), que fez prevalecer sua vontade na principal decisão política da aliança governista. O desfecho fortalece o deputado federal, expõe a fragilidade da liderança de Raquel sobre sua base e deixa Miguel fora da chapa após ter sido incentivado pela própria governadora a permanecer na disputa.
Mais do que uma disputa por uma vaga ao Senado, o episódio se transformou em uma demonstração de força dentro da base governista. Ao final das negociações, prevaleceu a posição de Eduardo da Fonte, enquanto Raquel assistiu ruir a composição que vinha defendendo desde o início das conversas. Na prática, a governadora terminou cedendo à correlação de forças da federação União Progressista.
Para Miguel Coelho, o desfecho foi o encerramento de uma candidatura que a própria governadora estimulou durante meses. Ao anunciar sua desistência, afirmou que a decisão ocorreu por “questões de forças maiores”. Nos bastidores, a versão predominante é que a garantia de espaço partidário para os deputados Fernando Filho e Antônio Coelho pesou para que o grupo aceitasse retirar sua candidatura, evitando um confronto maior.
O episódio também reabre uma ferida antiga na relação entre Raquel Lyra e o grupo dos Coelho. Em recente almoço que já sinalizava um possível rompimento político entre ambos, Fernando Bezerra Coelho Filho teria classificado a então aliada como “traidora”. Agora, após incentivar Miguel a permanecer na disputa e não conseguir sustentá-lo até o fim, aliados do ex-prefeito voltam a associar o desfecho ao histórico de rompimentos da governadora.
No balanço final, Eduardo da Fonte sai da negociação como o principal vencedor. Demonstrou força suficiente para impor sua estratégia à chefe do Executivo estadual e consolidou sua posição dentro da coalizão governista. Raquel Lyra, por sua vez, inicia a campanha carregando o desgaste de uma articulação em que sua vontade não prevaleceu justamente na definição mais importante de sua chapa majoritária.




