Saúde de fachada: Teto desaba no repouso do Hospital Agamenon Magalhães
Enquanto principais hospitais do SUS operam sob abandono e infestação de pragas, Palácio é alvo da PF por destinar R$ 108,8 milhões a hospital de aliados
A desconexão entre o marketing oficial de Raquel Lyra (PSD) e a realidade ganhou contornos dramáticos. Um vídeo que viralizou nas redes sociais documentou o teto de gesso e a fiação desabados justamente na área de repouso dos profissionais de saúde do Hospital Agamenon Magalhães (HAM). O colapso não é isolado: o teto do Hospital da Restauração (HR), maior emergência do estado, também cedeu recentemente. Para completar o cenário, denúncias apontam graves infestações de baratas no Oswaldo Cruz (HUOC) e fezes de roedores caindo sobre equipamentos da rede estadual.
Enquanto pacientes e profissionais enfrentam desabamentos e pragas na rede pública, o rigor orçamentário desaparece no círculo íntimo do poder. Dados do Portal da Transparência revelam que a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem como sócio o marido da vice-governadora Priscila Krause, abocanhou mais de R$ 108,8 milhões em repasses públicos entre 2023 e 2026. O fluxo milionário de verbas para a unidade privada motivou um pedido de investigação da Polícia Federal ao STJ por suposto desvio de finalidade.
O contraste entre os milhões que irrigam o hospital de aliados e a precariedade das principais unidades estaduais desmonta a narrativa de eficiência. O teto que cai no Agamenon Magalhães e na Restauração, somado ao descaso sanitário no Oswaldo Cruz, sela o diagnóstico de uma “saúde de fachada” que deixa o pernambucano desamparado nos corredores e os profissionais em risco no próprio local de trabalho.




