Política

Acordo com a Federação União Progressista garante Eduardo da Fonte no Senado e expõe crise de Raquel com o clã Coelho

Nos bastidores da política de Pernambuco, o martelo já foi batido e a ponta virada: no desenho oficial para a chapa de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), a cobiçada vaga ao Senado Federal pertence ao deputado federal Eduardo da Fonte. A decisão, que a governadora já confessou de forma reservada a interlocutores próximos estar consolidada, é fruto direto de intensas articulações nacionais. Raquel esteve reunida recentemente com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, amarrando os ponteiros da Federação União Progressista em torno do nome de “Dudu”, como é conhecido o deputado.

Longe de demonstrar qualquer habilidade de articulação, a condução do processo pela governadora acabou por detonar uma crise de grandes proporções dentro do seu próprio palanque. A entrega da vaga ao PP azedou completamente o humor do clã dos Coelho, em Petrolina. O grupo, liderado pelo ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho e que tem como principal ativo o ex-prefeito Miguel Coelho, contava com o espaço majoritário para o Senado e recebeu o anúncio como uma rasteira política.

Para tentar conter o estrago e evitar o desembarque precoce da força política do Sertão, Raquel correu para tentar apagar o incêndio oferecendo uma espécie de prêmio de consolação. A gestão estadual acenou com a vaga de vice-governador na chapa, deixando a escolha aberta para o próprio Miguel Coelho ou para o secretário Antônio Coelho. No entanto, empurrar Petrolina para o banco do vice após tantas promessas mostra a incapacidade em conciliar interesses sem gerar fraturas expostas.

A tentativa de agradar a todos ao mesmo tempo coloca a governadora em uma posição de vulnerabilidade. Ao ceder às pressões de Eduardo da Fonte no plano federal e tentar amarrar os Coelho com migalhas, a fragilidade da articulação palaciana fica nítida. No jargão popular, quem muito quer, tudo perde. Ao esticar demais a corda para manter o controle absoluto, a gestão estadual arrisca ver o seu palanque esvaziar antes mesmo do início da campanha.

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