Caminho natural para um racha na União Progressista coloca Raquel em sinuca de bico na disputa pelo Senado
Enquanto Miguel Coelho e Eduardo da Fonte disputam espaço na chapa majoritária, aliados minimizam crise, mas bastidores apontam desconforto dentro da federação

A disputa pelas vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra começa a expor uma possível fissura dentro da Federação União Progressista em Pernambuco. De um lado, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. Do outro, o deputado federal Eduardo da Fonte. Ambos são tratados por seus respectivos grupos como nomes naturais para a majoritária em 2026.
Publicamente, o discurso é de unidade. Em evento realizado na última sexta-feira (8), Miguel afirmou que “não vai ter briga” e disse que apoiará o nome escolhido por Raquel Lyra para a chapa. Eduardo da Fonte também tentou afastar rumores de divisão, afirmando que quem apostar em rompimento “irá quebrar a cara”.
Nos bastidores, porém, interlocutores próximos aos dois grupos admitem desconfortos. Aliados de Miguel lembram que ele preside o União Brasil em Pernambuco, tem força no Sertão e já se colocou como pré-candidato ao Senado. Já o grupo de Eduardo da Fonte aponta o peso do PP, a capilaridade do deputado no estado e sua capacidade de articulação com prefeitos, deputados e lideranças municipais.
O próprio ato da federação mostrou o tamanho do problema. A União Progressista oficializou apoio à reeleição de Raquel, mas também escancarou que existem dois projetos senatoriais dentro do mesmo bloco. A imprensa política já registrou que a missão de Eduardo será fortalecer sua pré-candidatura e, ao mesmo tempo, buscar entendimento com Miguel para evitar ruídos internos.
A situação deixa Raquel Lyra em uma verdadeira sinuca de bico. Além de Miguel e Eduardo, a governadora ainda precisa administrar os espaços de Anderson Ferreira, presidente estadual do PL, e de Túlio Gadelha, recém-filiado ao PSD. Anderson já afirmou que não precisa ser “ungido” por Raquel para disputar o Senado, enquanto Túlio chegou ao partido da governadora com a condição de pré-candidato à vaga.
Com tantos aliados disputando apenas duas vagas, a montagem da chapa virou um dos principais focos de tensão da base governista. O discurso oficial ainda é de convergência, mas a movimentação dos grupos mostra que a unidade da Federação União Progressista será testada até a definição final da majoritária.




