Política

Raquel Lyra sinaliza diálogo com Flávio Bolsonaro e mantém distância de Lula

Ao pregar cordialidade com o clã Bolsonaro e tratar relação com o presidente como protocolar, governadora expõe suas preferências para 2026

A entrevista da governadora Raquel Lyra (PSD) à CNN Brasil, nesta terça-feira (9), foi marcada por um nítido reposicionamento tático. Ao ser questionada sobre o cenário nacional de 2026, Raquel abandonou a postura habitualmente reservada e, com surpreendente fluidez, afirmou que, em caso de uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência, buscaria alinhamento e trabalharia junto com o filho de Jair Bolsonaro “com cordialidade”. O movimento indica que a governadora busca pavimentar pontes com o campo da direita conservadora visando os próximos desafios eleitorais.

Essa disposição para o diálogo com o bolsonarismo contrasta frontalmente com a forma como Raquel gere sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A governadora opera como se convivesse com Lula apenas por obrigação institucional. Esconde o presidente sempre que pode, refere-se à gestão federal de forma fria e protocolar e evita qualquer defesa política do governo. Enquanto João Campos (PSB) exibe seu alinhamento com Lula como um ativo político e programático, Raquel o esnoba e busca os recursos federais sem o compromisso político correspondente.

O aceno a Flávio Bolsonaro não é um evento isolado, mas o reflexo de um governo que respira bolsonarismo nos bastidores. No estado, a governadora caminha quase que unicamente ao lado de lideranças que apoiaram Jair Bolsonaro. Ela não apenas se recusa a fazer críticas ao ex-presidente, como também cultiva o apoio de seus fiéis defensores, como a deputada Clarissa Tércio, o ex-ministro Gilson Machado e o deputado Coronel Meira, que compõem sua base aliada.

Essa contradição tem gerado forte desconforto na própria Alepe, com deputados petistas governistas perplexos diante da dificuldade da governadora em assumir o seu lado em 2026. A entrevista na CNN apenas confirmou o que já era claro: entre a convicção bolsonarista que rege suas alianças e a obrigação lulista que rege suas finanças, Raquel Lyra já escolheu de que lado quer estar, e não é o lado do presidente.

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