Frente Popular aciona TRE e PF para impedir bloqueios a eleitores pelo Governo Raquel Lyra no Grande Recife

A Frente Popular de Pernambuco acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Pernambuco para solicitar medidas preventivas que garantam o livre trânsito dos eleitores no próximo domingo (4). As petições citam preocupações com o possível uso de operações de fiscalização de trânsito por forças policiais sob controle do Governo de Pernambuco que possam dificultar ou atrasar a chegada dos cidadãos aos locais de votação.
A coligação que representa João Campos (PSB) alega ter recebido informações de que medidas nesse sentido estariam sendo planejadas especialmente para o Grande Recife, região onde se concentra a maior parte do eleitorado do estado e onde o candidato tem maior vantagem sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). No pedido encaminhado ao TRE, a Frente Popular solicita que a presidência do tribunal oficie a Secretaria de Defesa Social, a Polícia Militar (incluindo o BPTran), a Polícia Civil, o Detran e as autarquias municipais de trânsito para orientar que as forças estaduais e municipais se abstenham de realizar blitzes ou bloqueios que prejudiquem o fluxo de eleitores. A medida pede que abordagens sejam restritas às hipóteses de flagrante delito ou risco iminente à vida, alinhando as exigências às diretrizes já impostas aos órgãos federais.
Paralelamente, o documento enviado à PF solicita que a instituição, que é a autoridade competente para apurar crimes eleitorais, reforce as equipes de plantão para monitorar e averiguar eventuais denúncias de bloqueios viários na Região Metropolitana do Recife durante o pleito. O texto ressalta que intervenções no trânsito sem justificativa de urgência podem caracterizar embaraço ao sufrágio e desvio de autoridade, requisitando a apuração imediata e a identificação das cadeias de comando caso irregularidades sejam constatadas no dia da votação.
Ainda nas petições, a Frente Popular de Pernambuco argumentou que essas preocupações se fundamentam em precedentes como o de 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou a ser orientada a empreender bloqueios em estradas do Nordeste com o potencial de impactar o trânsito de eleitores em uma região que é considerada reduto eleitoral do presidente Lula (PT). O então diretor da PRF, Silvinei Vasques, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão e à perda do cargo público por participação no esquema. Já Marília Alencar, que era diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, foi condenada a oito anos e seis meses de prisão, também com perda do cargo público.
A precaução da Frente Popular também encontra respaldo em providências já tomadas no âmbito federal. Portaria conjunta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Ministério da Justiça editada em 14 de setembro de 2026 estabelece limites para a atuação da PRF e outros órgãos federais de segurança no dia das eleições, determinando que as fiscalizações sejam feitas sem bloqueios ao trânsito e incidindo sobre infrações que tenham potencial de comprometer a segurança.




