Política

Raquel Lyra se consolida como candidata do bolsonarismo em Pernambuco

Levantamentos eleitorais, aproximação com lideranças conservadoras e incômodo no Planalto reforçam vínculo da governadora com o eleitorado de direita no estado

A governadora Raquel Lyra vem se consolidando cada vez mais como a principal candidata do bolsonarismo em Pernambuco para as eleições de 2026. O movimento aparece tanto nas pesquisas eleitorais quanto na aproximação pública de lideranças conservadoras e ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao projeto de reeleição da gestora estadual.

Nos últimos meses, nomes importantes da direita pernambucana passaram a fazer gestos políticos em direção ao governo estadual. Entre eles estão o deputado federal Coronel Meira, a deputada federal Clarissa Tércio, o ex-ministro Gilson Machado Neto, o vereador do Recife Eduardo Moura e aliados já de longa data como o ex-governador Mendonça Filho e a vice-prefeita, Priscila Krause.

Clarissa Tércio, por exemplo, fez elogios recentes à postura de Raquel Lyra em agendas do governo e passou a integrar cada vez mais espaços próximos da base governista. Gilson Machado Neto também reduziu o tom de enfrentamento ao governo estadual nos últimos meses, enquanto Coronel Meira vem mantendo diálogo político frequente com setores aliados à governadora.

A movimentação acontece em paralelo ao avanço de Raquel entre os eleitores mais identificados com a direita. Pesquisa Datafolha realizada entre os dias 13 e 15 de abril deste ano mostrou que a governadora tem desempenho mais forte justamente entre os eleitores alinhados ao bolsonarismo e aos nomes da direita nacional.

Nos bastidores da política, é comentado que o núcleo político de Raquel passou a enxergar no eleitorado conservador o principal caminho para tentar enfrentar a força do ex-prefeito do Recife, João Campos, em Pernambuco. A estratégia também acompanha o crescimento nacional do senador Flávio Bolsonaro, que aparece competitivo em pesquisas presidenciais recentes e vem fortalecendo palanques estaduais ligados ao bolsonarismo.

Incômodo do Planalto – O avanço da governadora no campo da direita também começou a provocar desconforto em setores do Governo Federal. Nos bastidores de Brasília, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstraram irritação com a forma como Raquel Lyra conduziu recentemente a comunicação sobre a Transnordestina.

A avaliação no Planalto é de que a governadora tentou capitalizar politicamente o eventual destravamento das obras em Pernambuco sem mencionar o papel histórico do Governo Federal e do presidente Lula no projeto. O incômodo aumentou após Raquel utilizar uma animação de Neymar feita com inteligência artificial em publicação sobre a ferrovia, numa linguagem mais voltada às redes sociais e sem referência direta à participação da União.

Integrantes do governo federal interpretaram o gesto como uma tentativa de apagar o protagonismo de Lula na retomada da Transnordestina, tema historicamente ligado ao PT no Nordeste.

Apesar dos esforços de nomes como Túlio Gadêlha e do ex-prefeito e deputado estadual João Paulo para aproximar Raquel de setores mais ligados ao lulismo, a governadora vem se destacando como a preferida do eleitorado bolsonarista no estado.

Na prática, aliados da própria governadora já admitem reservadamente que, apesar dos tímidos elogios ainda feitos ao Governo Federal, Raquel deixou de tentar ocupar uma posição de equilíbrio entre lulismo e bolsonarismo e passou a concentrar sua estratégia eleitoral no eleitorado de direita, especialmente diante da dificuldade de avançar sobre setores historicamente ligados ao PSB em Pernambuco.

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