Nem a fachada se salva: Teto desaba na ETEPAM e expõe colapso total na educação de PE
Apenas um dia após o grave acidente na Mustardinha, nova queda de gesso atinge a tradicional escola técnica no Espinheiro, cujo contrato de reforma é alvo do TCE
Se o governo de Raquel Lyra (PSD) já vinha sendo duramente cobrado por maquiar apenas as frentes das escolas, o colapso registrado nesta quarta-feira na Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (ETEPAM), localizada no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, prova que nem as aparências resistem mais. Vídeos gravados pelos próprios alunos revelam o desabamento do forro de gesso em plena biblioteca da tradicional instituição. O acidente ocorre apenas 24 horas após a queda de telhas que feriu estudantes na Mustardinha, confirmando que a pane estrutural na rede pública de Pernambuco virou uma rotina perigosa.
O cenário registrado pelos estudantes na biblioteca da ETEPAM exibe placas de gesso destruídas no chão, ao lado de mesas de estudo, além de uma situação deplorável de abandono com lixo acumulado e janelas quebradas nas demais dependências. O descaso físico com uma das escolas técnicas mais importantes do estado joga por terra qualquer discurso de eficiência gerencial defendido pelo Palácio do Campo das Princesas. O detalhe mais escandaloso é que a responsabilidade pela manutenção e reforma desses prédios é da Cetus Construtora, a mesma empresa que está na mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) pelo contrato milionário de R$ 185 milhões, sob investigação por superfaturamento de 274% em ar-condicionado e sumiço de documentos públicos.
A sucessão de vexames em um curtíssimo intervalo de tempo desenha o retrato de uma gestão em frangalhos. Ao deixar até a tradicional ETEPAM entregue à degradação, o governo estadual mostra que a sua educação de fachada faliu por completo. Ao invés de aprender, vemos o estudante pernambucano registrando dia após dias escombros e cobrando o básico de uma máquina pública que funciona muito bem nos pagamentos para empreiteiras, mas deixa a ponta desabar, chegando ao absurdo inaceitável de registrar alunos feridos precisando de pontos no hospital e outros improvisando pedaços de absorventes higiênicos para estancar o sangue por falta de primeiros socorros nas salas de aula.



