Educação de fachada levada ao pé da letra: Teto desaba em escola na Mustardinha e deixa alunos feridos
Estudantes relatam que o governo reformou apenas a frente do colégio, deixando salas caindo aos pedaços; improviso no socorro incluiu uso de absorvente para estancar sangue

O termo “educação de fachada” da gestão de Raquel Lyra (PSD) deixou de ser apenas uma crítica política para virar um perigo real. O desabamento de telhas e pedaços do teto na Escola Estadual Presidente Arthur Costa da Silva, na Mustardinha, feriu alunos e um professor durante a aula. A gravidade do abandono e do improviso ficou evidente no socorro: sem insumos básicos na unidade, funcionários precisaram cortar absorventes higiênicos ao meio para estancar o sangramento nos braços dos jovens atingidos. Cinco estudantes foram levados ao hospital, e uma jovem precisou levar pontos.
O relato dos estudantes revela o cinismo da atual administração. Segundo eles, após repetidos chamados de socorro da direção, o governo estadual enviou pedreiros que reformaram unicamente a parte frontal do prédio. Por dentro, o colégio continuou condenado: com tetos que minam água a cada chuva e fiação elétrica exposta que ameaça causar curtos-circuitos. “Eles só ajeitaram o da frente da escola, o da fachada. Se for entrar, vão perceber que todos os outros tetos estão velhos”, desabafou um aluno, expondo que a prioridade do Palácio é garantir a estética para as redes sociais enquanto as salas desabam.
O caso ganha contornos ainda mais graves diante do recente escândalo nacional no Jornal da Record, que revelou o pagamento a jato de R$ 185 milhões a uma construtora, com direito a superfaturamento de 274% em ar-condicionado e sumiço de documentos para investigação no TCE. Esse sumiço bilionário de recursos da educação contrasta com a tese de eficiência de uma gestão que coleciona desabamentos. Exatamente sete dias após o teto ceder na área de repouso do Hospital Agamenon Magalhães, o colapso se repete na Mustardinha, consolidando o diagnóstico de que a saúde e a educação compartilham do mesmo modus operandi: uma fortuna para pintar fachadas, mas a população e os profissionais seguem abandonados na linha de frente do descaso.




