Pernambuco

Educação de fachada: TCE investiga sumiço de documentos e superfaturamento de 274% em contrato de PE

Matéria da Record mostrou que Secretaria de Educação pagou R$ 185 milhões “a jato” para construtora antes que o Tribunal conseguisse suspender os repasses

A propaganda oficial do Palácio do Campo das Princesas vende a narrativa de um Pernambuco “destravado” e focado no futuro, mas o que o Jornal da Record mostrou nesta segunda-feira (6) em rede nacional foi um roteiro clássico de incompetência com forte cheiro de irregularidade. O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) colocou sob a lupa o contrato milionário firmado em junho de 2025 entre a Secretaria de Educação e a Cetus Construtora. O valor de R$ 148,2 milhões ganhou um aditivo de 25% e saltou para impressionantes R$ 185 milhões. O objetivo? Reformar colégios. A realidade? Alunos e professores convivendo com rachaduras, pichações e grades tomadas pela ferrugem.

A investigação do TCE revelou um festival de absurdos: falhas graves de planejamento, pagamentos em duplicidade, indícios claros de superfaturamento e até a ocultação proposital de documentos públicos. Mas o deboche com o dinheiro do contribuinte foi a descoberta de aparelhos de ar-condicionado instalados com um sobrepreço de 274%. Diante do escândalo, o Tribunal determinou a suspensão imediata dos pagamentos. Foi aí que veio a inacreditável resposta da Secretaria de Educação: informaram, com uma agilidade que não se vê na manutenção das salas de aula, que os R$ 185 milhões já haviam sido integralmente pagos à construtora.

O caso agora segue para uma auditoria especia do TCE para descobrir como um contrato virou fumaça antes que as obras chegassem, de fato, à ponta. Enquanto a Cetus Construtora preferiu o silêncio e não respondeu aos questionamentos da reportagem nacional, a Secretaria de Educação limitou-se a emitir uma nota dizendo que “vem colaborando” com os conselheiros. Para quem subiu as escadas do Palácio prometendo prioridade na educação e tolerância zero com o desperdício, ver a estrutura escolar ruindo enquanto os cofres públicos são esvaziados é o diagnóstico definitivo de uma gestão que investe pesado em redes sociais, mas deixa o estudante pernambucano esquecido no gesso e ferrugem.

f4637137-deb0-4790-bf52-0ad9c7dbbff3

Artigos relacionados

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo